O bom debate prevaleceu na Comissão de
Constituição, Justiça e Redação (CCJ), da Assembliea Legislativa do RN,
na reunião desta terça-feira (9), que discutiu, mais uma vez, o Projeto
de Lei Complementar o qual trata de alterações no Fundo de
Reaparelhamento do Ministério Público (FRMP). No encontro, foram ouvidos
os representantes da OAB–RN, da Associação dos Notários e Registradores
(ANOREG), todos contrários ao Projeto, das entidades produtivas e o
próprio MPM-RN. No final da reunião, após as argumentações, o MP admitiu
a possibilidade de retirar a matéria de tramitação.
O deputado Carlos Augusto Maia (PTdoB),
vice-presidente da CCJ, já havia externado sua preocupação diante do
Projeto de Lei 004/2015, de iniciativa do Ministério Público, uma vez
que o PL pretende aumentar as taxas judiciais e cartorárias
significativamente. “Alguns serviços podem chegar a um acréscimo de
780%. Isso é um absurdo na conjuntura atual de recessão no país”,
observou o deputado.
Ele argumentou ainda que, dos três fundos existentes para as
atividades cartorárias (FRMP, FDJ e FCRCPN), o único que já foi
atualizado – em 35%, desde 2010 – foi o destinado ao MP, o Fundo de
Reaparelhamento do Ministério Público (FRMP). “Então, o aumento não se
justifica. Precisamos pensar nos usuários”, enfatizou Carlos Augusto,
propondo uma readequação, mas sem o aumento de taxas.
O presidente da OAB-RN, advogado Sérgio
Freire, foi o primeiro a manifestar a opinião da entidade. “A OAB é
sempre contra o aumento de taxas. A Justiça deve ser facilitada para a
sociedade. A majoração, qualquer que seja, é absurda. O atendimento deve
ser de forma ampla, independentemente de taxas”, disse.
Representando a ANOREG, o tabelião
Airene Paiva também teve posição contrária, com base na justificativa do
princípio de acesso à Justiça. “Aumentos de taxas e emolumentos devem
ser discutidos aqui nesta Casa, que está retomando seu verdadeiro papel.
Antes projetos do MP e do Tribunal de Justiça não passavam nem nas
comissões. Eram aprovados sem debate. Solicitamos essa readequação, mas
sem aumento de taxas. Somos contra a forma como foi apresentada pelo
MP”, afirmou ele.
O representante das entidades
produtivas, Laumir Barreto, da Federação do Comércio ressaltou que “o
grande problema está nas tabelas anexadas ao Projeto de Lei. Essas taxas
foram aumentadas, no final do ano passado, e entraram em vigor agora em
2015. Estamos em momento de crise e esse aumento de taxas preocupa as
classes produtivas”.
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