terça-feira, 8 de abril de 2014

Real Madrid passa sufoco, mas se classifica às semifinais

Quando um timaço abre sua série de quartas de final em casa, joga bem e vence com boa diferença, fica fácil, para quem vê o jogo de volta, dizer: “tal time está com a mão na vaga”. Foi assim que muita gente encarou os duelos desta terça-feira, pela UEFA Champions League. É como se se tratasse apenas de uma questão de confirmar o que já estava definido de antemão.
Mas a verdade nem sempre é bem assim: pergunte ao Real Madrid. E às vezes ela não é nada, nada assim: pergunte ao Paris Saint-Germain. Depois de terem vencido seus duelos diante de Borussia Dortmund e Chelsea, respectivamente, espanhóis e franceses viajaram sem poder contar com seus principais jogadores - Cristiano Ronaldo e Zlatan Ibrahimovic - e sofreram. Os madrilenos levaram sufoco e ficaram a um golzinho da eliminação, enquanto os parisienses levaram um 2 a 0 em Stamford Bridge que levou o Chelsea de José Mourinho a mais uma semifinal.
O fato de ter perdido por 3 a 1 no Parc des Princes obrigou o Chelsea a partir para cima desde o início, que foi marcado por uma notícia ruim: lesão do belga Eden Hazard, que deixou o campo. Mas, curiosamente, até isso acabou se revertendo em algo positivo: pouco depois, aos 32 minutos, o alemão André Schuerrle, que entrara no lugar de Hazard, aproveitou escanteio desviado por David Luiz e tocou para o gol. Era o estopim de uma pressão que só aumentaria com o passar do tempo.
Na medida em que os Blues criavam chances, incluídas aí duas bolas no travessão, abriam espaços – e esses ficavam bem perto de ser aproveitados pelos parisienses, que quase marcaram com Edinson Cavani. Foi então que Mourinho resolveu assumir que era hora de tudo ou nada. Tudo o que havia de jogadores ofensivos em seu elenco, foi parar dentro do campo: Samuel Eto’o e Schuerrle ganharam a companhia de Demba Ba e de Fernando Torres – que substituíram Frank Lampard e Oscar, respectivamente. Atrás deles, Willian armava o jogo e David Luiz era um volante, e dos ofensivos. Ficou divertido de se ver.
Nessas horas, então, é que Mourinho ganha argumentos para continuar se autointitulando “The Chosen One”, “o escolhido”. Era a oitava vez que o português dirigia uma equipe nas quartas de final da Champions e, até hoje, nunca havia sido eliminado. Nem foi. Mais: quem marcou o gol decisivo, aos 42 do segundo, foi justamente o senegalês Ba, que ele colocou em campo. Foi dia de drama e de heroísmo: nos minutos finais, o punhado de atacantes fez as vezes de volante, e o goleiro Petr Cech precisou ainda salvar um chute de Marquinhos, quando até o goleiro Sirigu estava na área. Houve choro e comoção no centro de campo em Stamford Bridge. Foi uma noite daquelas.

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