Um
protesto organizado pelo Movimento Passe Livre (MPL) contra o aumento
da tarifa de ônibus municipal terminou em confronto entre policiais
militares e ativistas na estação Central do Brasil, no centro do Rio,
na noite desta quinta-feira, 6. Sete pessoas ficaram feridas, entre
elas um cinegrafista da Band, internado em estado grave. Foram detidas
28 pessoas e encaminhadas à 19.ª Delegacia de Polícia (Tijuca), na zona
norte.
O cinegrafista Santiago Andrade estava a
poucos metros da estação quando foi ferido na cabeça por uma bomba. Não
se sabe se foi um artefato de fabricação caseira, lançado por
manifestantes, ou uma bomba de gás da PM. Segundo a Band, ele perdeu
muito sangue e desmaiou.
Socorrido por policiais e levado ao
Hospital Souza Aguiar, passou por uma tomografia, que constatou
afundamento de crânio. Ele foi submetido a uma cirurgia na madrugada
desta sexta. Os demais feridos foram levados para hospitais municipais.
Segundo as últimas informações, Andrade permanece em estado muito grave.
A Associação Brasileira de Jornalismo
Investigativo (Abraji) divulgou nota de repúdio à agressão sofrida pelo
cinegrafista. Ele é o terceiro jornalista ferido em manifestações este
ano. Além dele, Sebastião Moreira, da Agência EFE, foi agredido por PMs e
Paulo Alexandre, freelancer, apanhou de guardas civis metropolitanos
durante protesto em 25 de janeiro, em São Paulo, ressalta a Abraji.
"A Abraji repudia ataques como esses a
jornalistas. Em 2013, 114 profissionais foram feridos em todo o País
durante a cobertura de protestos. É preocupante que 2014 comece com três
casos de violência contra jornalistas. Se faz necessária uma apuração
célere do ocorrido para que procedimentos sejam revistos e para que o
Estado proteja a liberdade de expressão, a liberdade de informação e o
jornalista".
Manifestação
Quando chegaram à Central do Brasil, os
manifestantes subiram nas roletas e incentivaram os passageiros a passar
por elas sem pagar. Até então, os PMs que acompanhavam a manifestação
não interferiram.
Nas duas manifestações mais recentes
convocadas também contra o aumento das passagens (que vão de R$ 2,75
para R$ 3 amanhã), os ativistas haviam agido da mesma forma. No entanto,
nada foi quebrado nem houve confrontos entre policiais e ativistas.
Ontem, porém, um grupo arrancou uma roleta enquanto outro quebrava
vidros de uma loja do saguão.
Nesse momento, os policiais militares
avançaram sobre os manifestantes, usando cassetetes. A maioria dos
ativistas pulou as catracas novamente e fugiu para a rua. Em seguida, um
grupo tentou voltar ao saguão, e a polícia lançou bombas de gás
lacrimogêneo. Embora o pé direito do prédio seja alto, o gás se espalhou
rapidamente e centenas de passageiros e ativistas correram para a rua.
Os confrontos se espalharam pelas
imediações do prédio da Central do Brasil, onde também funciona a
Secretaria Estadual de Segurança, e só foram controlados cerca de uma
hora depois. O comércio fechou e a Avenida Presidente Vargas ficou
interditada no sentido zona norte. Passageiros procuravam abrigo,
tossindo após inalar o gás. Ao longo da avenida, pelo menos cinco pontos
de ônibus foram destruídos e dezenas de sacos de lixo, incendiados.
Nenhum comentário:
Postar um comentário