terça-feira, 14 de abril de 2015

China vai superar EUA como maior causador do aquecimento global até 2016, dizem especialistas.

A China está prestes a superar os Estados Unidos como principal país causador do aquecimento global provocado pelo homem desde 1990, ano de referência para a ação sobre mudanças climáticas liderada pela ONU. As emissões de gases do efeito estufa acumuladas pela nação desde o referido ano vão ultrapassar as marcas americanas em 2015 ou 2016, de acordo com estimativas feitas por especialistas na Noruega e dos EUA. A mudança representa uma guinada histórica que pode aumentar a pressão sobre Pequim para adotar medidas.

A mudança, refletindo o grande crescimento econômico da China, levanta questões sobre a sua responsabilidade histórica pelo aumento das temperaturas relacionado com inundações, desertificação, ondas de calor e elevação do nível do mar.

Quase 200 nações se reunirão em Paris em dezembro para fechar um acordo climático global pós-2020.

- Há alguns anos, as emissões per capita da China eram baixas, sua responsabilidade histórica era baixa. Isso está mudando rapidamente - disse Glen Peters, do Centro Internacional para Pesquisa do Clima e do Meio Ambiente-Oslo (Cicero, na sigla em inglês), segundo o qual a China ultrapassará em total os Estados Unidos este ano.

Usando dados ligeiramente diferentes, o World Resources Institute, consultoria com sede nos EUA, estima que as emissões de dióxido de carbono acumuladas pela China totalizarão 151 bilhões de toneladas no período 1990-2016, ultrapassando no ano que vem o total dos EUA, de 147 bilhões.

O aumento das emissões cumulativas expõe a China a demandas de responsabilidade por parte de outros países em desenvolvimento, disse Daniel Farber, professor de direito da Universidade da Califórnia, em Berkeley.

Em um princípio estabelecido pela ONU em 1992, cabe aos países ricos reduzirem as emissões de gases de efeito estufa porque a sua riqueza é baseada na queima de carvão, petróleo e gás natural desde a Revolução Industrial, iniciada no século 18. 

Por O Globo 

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