segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

'O vento me dá dinheiro', diz dono de fazenda com torres de energia eólica

Povoado de Queimadas tem cenário de cata-ventos gigantes no RN (Foto: Felipe Gibson/G1)"Tenho 52 anos, todos eles lidando com a terra. Hoje, por incrível que pareça, quem me dá dinheiro é o vento". O agricultor Francisco Ferreira ajuda a entender o sopro de mudança que a energia eólica representou para os proprietários das terras localizadas na região do Mato Grande, no Rio Grande do Norte. Lá estão instalados grandes cata-ventos que geram parte da energia consumida em todo o Brasil.

De cinco anos para cá, o Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energias Renováveis (Cerne), organização sediada no Rio Grande do Norte, estima que o estado recebeu entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões em investimentos no setor eólico.

Cada aerogerador instalado nas terras, dependendo da capacidade de produção, pode gerar até R$ 1.000. O valor corresponde a um percentual da receita de cada máquina. Os contratos preveem pagamentos fixos por mais de 20 anos e são renováveis. Essas "fazendas solares" chegam a ganhar R$ 60 mil por mês. Muitos aplicam os rendimentos na agricultura.

De acordo com os últimos dados do Cerne, são 67 parques de energia eólica em operação produzindo energia comercialmente, além dos empreendimentos em construção e contratados em leilões, o que mantém o estado como líder nacional em projetos para geração de energia a partir dos ventos.

O potencial potiguar e os investimentos no setor têm reflexo direto para os donos das terras por onde passam os ventos mais fortes e constantes do estado. A realidade mudou na mesma proporção do rendimento das propriedades, antes pouco produtivas. Em alguns casos, a instalação dos aerogeradores salvou fazendas da venda.

G1-RN

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